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À porta do hotel, 1h40m depois...



O fim de uma relação por si só é complicado e por vezes difícil de digerir, principalmente quando se ama, quando se assume o erro cometido e mesmo assim... não há perdão...
Com um emaranhado de emoções e sentimentos que me acompanhavam há semanas e na presença de uma tristeza que não conseguia disfarçar, resolvi preparar uma pequena mala e ir passar o fim de semana fora. Sentia-me apagada, fria... esquecida! Apenas queria passar o fim de semana longe de tudo e de todos, queria encontrar-me de novo, devolver-me algum tipo de alegria e emoção. E foi com este pensamento que depois de encher o depósito do carro parti.
Durante a viagem pensei nele, desejei ter coragem suficiente para lhe ligar mas a seu pedido nunca mais o fiz. Foi então que a revolta tomou mais uma vez conta de mim, chorei imenso, parei o carro numa área de serviço, onde estive seguramente mais de uma hora parada e lá deixei um passado que estava finalmente disposta a esquecer.
Obriguei-me a ter força, coragem, a enfrentar um futuro agora diferente e a adaptar-me à nova realidade. Era no presente momento uma mulher completamente livre e podia fazer de novo o que me desse na real gana.
E foi assim, num súbito impulso e carregando nas costas algumas semanas passadas a pão e água que liguei para o Carlos. Senti necessidade de ouvir a voz de alguém que não deixou mágoa nem dor na minha vida e isto porque a nossa "relação" sempre foi apenas sexual. Durante quase dois anos foi assim, algo incrivelmente intenso e prazeroso, sem paixões ou sentimentos mais avançados.
Desejei-o ouvir do outro lado da linha e dar-lhe finalmente a explicação para a minha tristeza em duas noites que trabalhámos juntos, quando por ele fui questionada várias vezes. Achei que aquele seria o momento de lhe contar a verdade, até porque a nossa "relação" terminou devido ao facto de eu ter outra pessoa por quem me apaixonei de verdade!
- Carlos tudo bem?
- Inês que surpresa!
- Sabes que sempre gostei de surpreender...
- A menina já anda mais bem dispostinha ou nem por isso? Mas que raio se passa contigo Inês?
Hesitei. Engoli em seco. Tive a perfeita noção naquele exacto momento, e ao contrário do que antes pensara, que afinal não me sentia assim tão preparada para lhe contar o que se passava de facto.
- Desculpa ter-te ligado, talvez seja um erro estar a fazê-lo. Olha amanhã não vou trabalhar, vou passar o fim de semana fora.
- E vais para onde?
- Estou perto de Aveiro, talvez fique mesmo por aqui. Vou arranjar um hotel, se não conseguir sigo para o Porto.
- E estás sozinha?
- Sim, esse é mesmo o objectivo principal... estar sozinha!
- Então e o teu namorado?
O mundo caiu sobre mim, estava feita a tal pergunta para a qual não tinha resposta!
Optei por ficar calada por breves segundos. Nenhuma palavra, mesmo que quisesse, saía da minha boca!
- Não me digas que já não há namorado?! Responde-me Inês, apesar de tudo sabes que sou teu amigo e sempre respeitei as tuas decisões... Vais dizer-me o que se passa?
- Sim... Não... Já não há!
- ... já não há...
- ... namorado...
- Bem me parecia. Eu já tinha reparado, nas noites em que trabalhámos juntos que não me parecias bem!
- Pois é!!! Já não há...
- Nem te vou perguntar os motivos, isso deixo para depois. Onde estás?
- Já estou em Aveiro, em frente ao hotel Moliceiro e acho que vou mesmo hospedar-me por aqui.
- Vais ficar aí os três dias?
- Carlos, se há coisa que não faço é planos. Esta noite fico por aqui, amanhã logo se vê!
- Ok, janta em condições e põe essa cabeça no lugar. Sempre te achei uma mulher forte. Não te descontroles agora.
- Obrigada por me ouvires. Precisava mesmo de uma voz amiga.
- Sabes perfeitamente que podes sempre contar comigo.
- Mais uma vez obrigada. És um bom amigo e sempre soubeste entender-me muito bem. Beijo, fica bem.
- Beijo e até já.
Confesso que aquele "até já" suscitou algumas dúvidas na minha cabeça. Teria ele em mente ir ao meu encontro? Sei que seria louco suficiente para isso e muito mais... mas...
Passei o Carlos para segundo plano. Voltei a centrar-me no meu fim de semana. Estacionei o carro e fiz a reserva no mencionado hotel.
Subi ao quarto, tomei um banho relaxante e mais uma vez pensei no Rui. Olhei-me ao espelho, vi um rosto sem expressão, sem um sorriso, completamente abandonado. Senti uma dor tão grande. Um aperto no coração. Eram tantos os kms que me separavam dele...
Preparei-me entretanto para sair. No rosto apenas blush, rimel e um brilho nos lábios de tom suave. Na pele Armani Code. No corpo um top, uma saia, um cachecol em tons rosa e umas sandálias confortáveis.
Desci e resolvi procurar um restaurante a pé. Fez-me bem a brisa, o movimento dos carros e das pessoas...
Procurei um restaurante, tive uma refeição solitária mas bem regada. Sentia agora os meus sentidos envoltos numa embriagues que me assediava a cada minuto passado.
Voltei ao Hotel em passos lentos e calculados ao pormenor. Precisava de adormecer o mais depressa possível... quando de repente ouço o meu telemóvel tocar. Não queria mesmo acreditar! Era o Carlos que estava a ligar-me. Fiquei incrédula!
- Carlos... novamente tu? Não esperava ouvir-te tão depressa!
- Estiveste a beber! Noto pela tua voz!
- Bebi sim, um pouco demais... mas amanhã passa. Cheguei agora mesmo ao hotel, só preciso de dormir!
- Olha é só para te dizer que estou à porta do Hotel Moliceiro.
A minha alma estava parva. Uma hora e quarenta minutos depois ele estava tão perto de mim! Ali mesmo à entrada do mesmo hotel onde me encontrava!
- Não acredito Carlos!!! Estás a brincar comigo não estás?
- Inês, desce. Vamos conversar. Venho na qualidade de teu amigo de longa data, e os amigos são para as ocasiões.
- Sim eu sei, mas... tu és louco!
Voltei a descer, sentia-me desajeitada, olhar triste e distante. Sabia antemão que não seria a companhia ideal para uma Sexta feira à noite mas também não o iria mandar embora depois de tantos kms deixados para trás!
Chegada à porta do Hotel, certifiquei-me que era mesmo o Carlos. Bonito como sempre. Muito bem vestido e perfumado. Dono de um corpo perfeito e que conhecia tão bem!
- Estás giro pah! Ao contrário de mim... Hoje não estou no meu melhor!
- Inês, a ti qualquer farrapo te fica bem! Estás linda... e bêbeda!
- Ok, se bem me lembro tu não bebes álcool, mas se bebesses saberias que de vez em quando é preciso beber uns canecos para esquecer (mesmo que por breves horas) a dor que nos consome.
O álcool deixara-me mais solta, mais atrevida, mais eu. As palavras saiam-me da boca, agora de forma espontânea e sim, confesso que tê-lo ali fez-me sentir bem!
Foi estranho, contudo, relembrar alguns momentos passados com aquele homem terrivelmente bom! O seu corpo sempre me deixou completamente louca. O sexo com ele sempre foi do melhor! Nesse campo sempre nos entendemos muito bem. Somos duas pessoas sem tabus e não conseguimos viver sem sexo durante muito tempo. Talvez por nos conhecermos tão bem a esse nível, optámos desde logo por nunca nos apaixonarmos um pelo outro! E resultou!
Vê-lo ali do meu lado, sozinhos de novo, despertou em mim velhas nostalgias! Por momentos pensei no quão felizes fomos, enquanto amigos coloridos... com muito sexo à mistura e sem compromissos sérios!
- Onde me levas?
- A um sítio calmo, para apanhares ar e curares essa bebedeira.
- Já me viste bem pior.
- Sabes que não gosto que bebas, o álcool não resolve nada ok?
- Sim papá. Onde vamos?
- À praia...
Parámos o carro à beira mar, caminhámos sobre a areia e a conversa começou entretanto...


continua...
 
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